Descubra a sua biografia
Em criança, sonhava ser paleontóloga, astronauta ou escritora… e, no final, o meu coração levou-me à geologia. Após anos de estudo para adquirir conhecimentos profundos, partilho-os agora convosco, leitores da Futura!
Olhando para trás, percebo que a minha paixão pela Terra e pela ciência em geral começou muito cedo! A minha primeira espeleologia foi aos 4 anos, o primeiro mergulho aos 7, caça aos fósseis por toda a França, saídas noturnas para observar as estrelas… Com um pai professor de química e mergulhador de grutas, e uma mãe que foi a primeira mergulhadora comercial feminina em França, a minha infância foi cheia de aventura e descoberta! Uma memória em particular destaca-se: observar o cometa Hale-Bopp em 1997, a meio da noite, num campo enquanto os meus pais sussurravam as contagens decrescentes para fotografar aquele estranho objeto celeste que iluminava o céu. Essa imagem ficou gravada para sempre na minha memória, um momento cheio de uma certa magia — e ainda hoje me arrepio quando olho para as estrelas. Cabeça nas estrelas, pés no chão. Foi provavelmente durante as nossas viagens numa velha carrinha Volkswagen, entre a Andaluzia e as terras ermas do Cabo Norte, que descobri a incrível beleza da natureza e a deslumbrante diversidade de paisagens que o nosso planeta oferece.
Descobrindo a Terra e o Seu Funcionamento Interno
Após o ensino secundário, enveredar por estudos científicos pareceu-me uma escolha natural, pelo que não foi surpresa quando me inscrevi na universidade para uma licenciatura completa em Ciências da Terra. Mas tive dificuldade em fixar-me numa só área. Durante os meus estudos, explorei todas as áreas das geociências: da geodesia ao eletromagnetismo, da mineralogia à geologia de campo… Adorei aprender sobre a Terra e a sua complexidade, a sua beleza, a sua força e a sua fragilidade. Por isso, quando me foi dada a oportunidade de iniciar um doutoramento em geodinâmica em 2011 — estudando o desenvolvimento das margens australiana e antártica — não hesitei. Mais coisas para aprender e descobrir!
Um dos aspetos mais fascinantes das geociências é a forma como se oscila entre escalas de tempo e espaço vastas. Nunca se fica parado — está-se constantemente a aproximar e a afastar. Num único dia, pode-se passar de olhar para a crosta oceânica a analisar um mineral minúsculo. Pode-se estar a discutir movimentos de placas tectónicas e depois interações químicas entre minerais. O que poderia ser mais entusiasmante?
Do Continente ao Oceano: A Incrível Jornada de um Doutoramento
Ao longo de três anos, especializei-me progressivamente em interpretação sísmica. Como um detetive, aprendi a ler essas imagens em preto e branco às riscas e a reconstituir uma história — a história da tectónica de placas e da abertura de um oceano. Especificamente, trabalhei no desenvolvimento de falhas de descolamento na zona de transição continente-oceano e no registo sedimentar que produzem. Tive a oportunidade de apresentar o meu trabalho em muitas conferências internacionais e construí uma forte identidade científica. Três anos de trabalho árduo, descobertas incríveis e encontros extraordinários moldaram-me naquilo que sou hoje. Após defender a minha tese em 2014, completei vários anos de investigação pós-doutoral com o CNRS e em colaboração com empresas petrolíferas interessadas nestas zonas cada vez mais estratégicas para a exploração petrolífera.
Ciência, Sempre e para Sempre
Mas… a academia é exigente, requerendo dedicação a tempo inteiro — algo nem sempre compatível com a constituição de família. Por isso, tomei a difícil decisão de mudar de percurso profissional e virei-me para a escrita científica. Revelou-se uma excelente escolha, pois permite-me continuar a falar de ciência, especialmente de geologia. Trabalhar com a Futura é uma verdadeira oportunidade porque me permite partilhar o mundo das Ciências da Terra — uma área frequentemente ignorada — com um público alargado. Afinal, o que poderia ser mais importante do que compreender o planeta em que vivemos?