Esta forma de incontinência está associada a um problema de controlo do esfíncter anal. A sua frequência aumenta com a idade, devido a uma dificuldade crescente em reter as fezes, influenciada por fatores físicos e mentais. As mulheres são mais afetadas do que os homens, sobretudo por razões obstétricas.

Sintomas da incontinência fecal
Os sintomas podem incluir a libertação involuntária de gases, perdas de matéria fecal ou episódios de incontinência parcial ou total das fezes. Existem dois tipos de incontinência anal:
- passiva: provoca uma perda de fezes sem que a pessoa se aperceba e sem que sinta necessidade de defecar. Surge frequentemente após um período marcado pela obstipação, que deixa o reto cheio;
- ativa, por vezes também designada motora: caracteriza-se por uma necessidade súbita e imperiosa de defecar. A pessoa tem consciência da urgência, mas não dispõe de tempo suficiente para chegar à casa de banho. Este tipo de incontinência é frequentemente acompanhado por diarreia, deixando o reto vazio, e por pequenas perdas ou escorrências.

Causas da incontinência fecal
As causas são numerosas e variadas. Podem surgir isoladamente ou acumular-se. Entre as principais encontram-se:
- a obstipação, que bloqueia o cólon e impede a evacuação normal das fezes. Em caso de incontinência anal, não é aconselhável fazer força durante a evacuação, uma vez que esse esforço pode lesionar e enfraquecer os músculos e o períneo;
- doenças neurológicas, como a doença de Parkinson ou a doença de Alzheimer, que podem afetar as capacidades mentais;
- intervenções cirúrgicas na zona pélvica, nomeadamente para tratar hemorroidas, remover um tumor ou reparar uma lesão. Estas intervenções podem provocar danos ou mesmo a secção dos nervos do esfíncter. As consequências cirúrgicas podem deixar alguma sensibilidade no reto e favorecer a formação de fecalomas, ou seja, a acumulação e estagnação de matéria fecal;
- a gravidez, durante a qual o períneo e o esfíncter ficam distendidos. Este esforço intenso para o organismo pode provocar uma lesão ou rutura que apenas se manifesta mais tarde, nomeadamente durante a menopausa.
É inegável que a investigação tem avançado e que os tratamentos para a incontinência fecal estão a tornar-se mais acessíveis. No entanto, apesar de apresentarem alguma eficácia, continuam a ser sobretudo paliativos, não proporcionando uma cura verdadeiramente definitiva. Por esse motivo, as proteções de uso diário continuam a ser mais indispensáveis do que nunca.