A ideia de que o stress provoca cabelos brancos é uma crença popular bastante difundida. Em 2020, um estudo publicado na revista Nature conseguiu comprová-la em ratos, mas ainda não em seres humanos. A perda de cor dos cabelos está ligada ao desaparecimento dos melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina.
Um cabelo nasce a partir do bulbo capilar, a parte viva do fio e também a que mais consome energia. Depois de sair do bulbo, o cabelo passa a ser considerado uma estrutura “morta”, ficando fixo no estado em que deixou essa zona. De certa forma, funciona como os anéis de uma árvore, que guardam marcas das condições do ambiente ao longo do tempo.
Assim, um episódio de stress pode alterar a pigmentação do cabelo no momento em que ele está a crescer.
Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu uma técnica capaz de analisar com grande precisão os padrões de despigmentação presentes nos cabelos humanos. Foi então que observaram um fenómeno surpreendente: um cabelo que perdeu a cor pode voltar a recuperá-la. Os resultados deste trabalho foram publicados na revista científica eLife.
Visão microscópica de um cabelo com áreas despigmentadas num indivíduo asiático de 30 anos. © Ayelet M Rosenberg et al. e-Vida
Os cabelos brancos podem recuperar a sua cor
O estudo foi realizado com voluntários de diferentes idades, sexos e origens étnicas. Os cientistas recolheram fios de cabelo de várias zonas do couro cabeludo e analisaram-nos individualmente, desde a raiz até à ponta.
Depois, digitalizaram cada fio utilizando um scanner de alta precisão para examinar as variações de cor ao longo do cabelo. Esta técnica permitiu observar algo bastante curioso: as zonas de perda de pigmentação coincidiam frequentemente com períodos de maior stress relatados pelos participantes.
Por outro lado, quando os níveis de stress diminuíam, alguns fios voltavam gradualmente a recuperar a cor original. Isto indica que o processo de perda de pigmentação do cabelo pode, em certas condições, ser reversível.
Os investigadores também analisaram as proteínas presentes nas partes pigmentadas e nas zonas brancas do cabelo. Descobriram que as áreas despigmentadas contêm maiores quantidades de proteínas ligadas à produção de energia nas mitocôndrias, estruturas celulares fundamentais para o crescimento capilar.
Além disso, algumas dessas proteínas estão associadas ao envelhecimento celular. Em contrapartida, as zonas brancas apresentam níveis mais baixos de queratina, uma proteína essencial para a estrutura do cabelo.
Os cientistas observaram ainda outro elemento importante: parece existir um determinado limiar de stress a partir do qual o cabelo perde temporariamente a sua cor. Quando esse limite é ultrapassado, o processo de despigmentação pode iniciar-se.
Apesar destas descobertas promissoras, ainda há questões por esclarecer. Os investigadores precisam agora de determinar com maior precisão a natureza deste processo de envelhecimento e identificar em que células específicas do bulbo capilar ele ocorre.