O Grande Colisor de Hádrons (LHC) é o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo. Desde que entrou em funcionamento, em 2008, ele fornece uma avalanche de dados que permite aos físicos de partículas aperfeiçoar suas teorias e seus modelos. Foi graças a ele, por exemplo, que o famoso bóson de Higgs pôde ser identificado.
Qual é a relação com os fantasmas? Quem explica é o físico teórico britânico Brian Cox: “Se quisermos dar um lugar aos fantasmas em nossas vidas, precisamos inventar uma extensão do modelo padrão da física de partículas que, até agora, escapou totalmente aos experimentos realizados com o Grande Colisor de Hádrons. Isso é quase inconcebível nas escalas de energia típicas das interações de partículas em nosso corpo”, afirma o membro da Royal Society.
Alguns poderiam ser tentados a responder a Brian Cox que o modelo padrão que ele apresenta dessa forma é uma teoria bastante incompleta. O físico garante que a questão da existência dos fantasmas não está entre aquelas que representam um problema para o modelo.

Nenhum fantasma detectado no CERN
Embora reconheça que existem coisas que ainda não podem ser descobertas graças ao Grande Colisor de Hádrons, ele afirma que esse equipamento permite, no entanto, detectar a energia gerada pelas informações que circulam em nossas células. O físico está, assim, convencido de que, se os fantasmas existissem, sua assinatura teria inevitavelmente sido detectada pelo acelerador de partículas gigante do CERN.
Para concluir sua demonstração, Brian Cox também explica que, de qualquer forma, a existência dos fantasmas iria contra a segunda lei da termodinâmica. Vale lembrar que ela determina que a entropia total — entendida como uma medida da desordem — de um sistema isolado aumenta de maneira inexorável com o passar do tempo. Assim, a energia utilizável pelo sistema se perde à medida que o tempo passa e a desordem se instala. E, sem energia externa, é impossível inverter esse processo.
“Se não podemos tocar nem interagir com fantasmas, é porque eles seriam necessariamente feitos de energia, e não de matéria. Ora, se a segunda lei da termodinâmica é verdadeira, a energia se perde, e seria impossível para tais entidades manterem sua existência por um período significativo”, conclui Brian Cox.
Essas explicações não impedirão aqueles que estão convencidos de ter vivido experiências sobrenaturais de pensar que a ciência descobrirá um dia um modelo capaz de desafiar todos os conhecimentos atuais… e de devolver vida aos fantasmas!
