1. A música motiva e dá prazer
A música pode transmitir emoções positivas. Proporciona uma sensação de prazer ao agir sobre o sistema de recompensa, graças aos neurónios dopaminérgicos que libertam dopamina no cérebro.
E não é só impressão nossa: um estudo mostrou que ouvir música no carro tem um efeito positivo no humor dos condutores. Sim, até no trânsito a coisa pode ficar menos dramática.
2. A música reduz o stress e a ansiedade
A música pode ajudar a baixar o ritmo cardíaco elevado pelo stress, a hipertensão e os níveis de cortisol, três marcadores associados ao stress.
Num estudo publicado em 2009, pacientes que tinham sido submetidos a cirurgia cardíaca ouviram, no dia seguinte à operação, 30 minutos de música MP3 suave e relaxante. Outros apenas descansaram na cama durante o mesmo período. Após esses 30 minutos, os níveis de cortisol eram significativamente diferentes: 484,4 mmol/L no grupo que ouviu música, contra 618,8 mmol/L no grupo de controlo.
Noutro estudo, a música foi até mais eficaz do que um ansiolítico para reduzir a ansiedade de pacientes que iam ser operados.
3. A música ajuda a aliviar a dor
Num pequeno estudo de 2013, pacientes com fibromialgia ouviram música uma vez por dia durante quatro semanas. Em comparação com o grupo de controlo, os que ouviam música diziam sentir menos dor.
Outro estudo acompanhou 60 pacientes que iam ser operados à coluna. Eles ouviram música desde a véspera da operação até dois dias depois da cirurgia. O resultado? A música reduziu a dor, mas também a ansiedade, antes e depois da intervenção.

4. A música favorece a memória e as funções cognitivas
Como a música aumenta a motivação, também pode ajudar na aprendizagem. Num estudo de 2014, estudantes que estavam a aprender húngaro tinham de falar ou cantar frases nessa língua. O grupo que cantava recordava-se melhor das frases.
Como a música e o canto têm efeitos positivos no humor e na memória, foi criado um programa de musicoterapia, Music and Memory, destinado a pacientes com demência, como a doença de Alzheimer.
Um pequeno estudo com 56 estudantes mostrou ainda que música de fundo, neste caso música clássica, pode melhorar o desempenho num teste cognitivo. Ainda assim, o tipo de música ouvido provavelmente faz diferença.
5. A música ajuda a fazer exercício
Num estudo britânico, os participantes ouviram música enquanto caminhavam numa passadeira até ficarem exaustos. Em comparação com quem não ouvia música, os que faziam exercício com música mostraram maior resistência.
Talvez a música atue sobre a motivação. Ou talvez nos distraia, impedindo-nos de pensar tanto no esforço. É o que sugere um pequeno estudo feito com jovens obesos que treinavam numa passadeira: ao serem distraídos pela música, conseguiam correr durante mais tempo.
Quando demasiada música torna o ouvinte apático
É a conclusão de um estudo marcante publicado por um investigador britânico. A generalização da audição de música ao longo do dia poderia estar a mergulhar as pessoas numa espécie de insensibilidade à arte musical.
Se existe uma ‘má música’, como existe comida de má qualidade, talvez o problema não esteja tanto nas produções em si, mas na forma como são repetidas em todas as nossas atividades diárias: elevadores, supermercados, televisão, ruas pedonais, carro, trabalho, metro e até jogging, graças aos walkmans, leitores de CD, telemóveis e iPods que invadiram as casas nas últimas décadas.
O musicólogo britânico Adrian North explicou que a acessibilidade da música parece tê-la tornado algo dado como adquirido, sem exigir um envolvimento emocional profundo. A sua equipa, da Universidade de Leicester, acompanhou 346 participantes durante duas semanas e concluiu que a chamada Geração MP3 é formada por jovens que não apreciam verdadeiramente a música e as canções.
Quanto mais se ouve, menos sensível se fica. Segundo o investigador, o grau de acessibilidade e escolha levou a atitudes mais passivas perante a escuta musical diária.
Por causa da sua presença constante nos meios de comunicação, a música seria hoje vista mais como uma mercadoria, produzida, distribuída e consumida como qualquer outra.
Adrian North recorda que, no século XIX, a música era vista como um tesouro de grande valor, com poderes quase místicos de comunicação humana. Hoje, com todos os estilos acessíveis num clique, a comunicação parece ter ultrapassado a própria música. Entusiasmamo-nos mais com a última versão de uma aplicação do que com a nova sinfonia de um compositor desconhecido. Uma teoria que, claro, ainda precisa de confirmação.
