Talvez você nunca tenha ouvido falar do ciclo nasal. No entanto, esse fenômeno controlado pelo cérebro ritma nossas vidas. É, de fato, em função do ciclo nasal que uma das nossas narinas se abre mais do que a outra, ao longo do dia e da noite. Tecnicamente, ele corresponde à alternância entre a congestão, ou o inchaço, e a descongestão, ou o desinchaço, da mucosa do nariz.
Para entender bem o ciclo nasal, é preciso primeiro se interessar pela anatomia do nariz. Dentro de cada narina encontram-se estruturas ósseas recobertas por uma mucosa ricamente vascularizada: os cornetos nasais. Esses cornetos têm a função de aquecer, umidificar e filtrar o ar que inspiramos, preparando-o para entrar nos pulmões. Sob a influência do sistema nervoso autônomo, aquele que controla nossas funções inconscientes, os vasos sanguíneos desses cornetos se dilatam ou se contraem periodicamente. É esse fenômeno de vasodilatação e vasoconstrição que provoca o ciclo nasal. Quando os vasos se dilatam de um lado, a mucosa incha e reduz a passagem do ar. Enquanto isso, do outro lado, os vasos se contraem, a mucosa desincha e o ar circula livremente. Esse balé incessante se repete ao longo do dia sem que tenhamos consciência disso, exceto em caso de congestão excessiva.

Um ciclo nasal para se sentir melhor
O ciclo nasal tende a ser regular. Quando a mucosa nasal incha de um lado, ela desincha do outro. Observa-se uma alternância de fases de vasoconstrição e vasodilatação. Assim, o ar passa melhor e mais rapidamente pelo lado em que a mucosa está desinchada. A respiração ocorre então mais por uma narina do que pela outra. A alternância acontece a cada uma a cinco horas.
Essa alternância regular, o ciclo nasal, cumpre várias funções essenciais. A primeira é permitir que os tecidos da mucosa nasal descansem. Ao inchar e desinchar alternadamente, os cornetos evitam uma exposição permanente ao fluxo de ar, o que poderia ressecá-los ou irritá-los. É um pouco como se nossas narinas trabalhassem em equipe, uma assumindo quando a outra se cansa. A segunda função está ligada à umidificação e ao aquecimento do ar. Ao variar o fluxo de ar de uma narina para a outra, o corpo garante que o ar inspirado sempre tenha tempo de ser corretamente condicionado antes de chegar aos pulmões. Por fim, o ciclo nasal poderia desempenhar um papel na regulação da pressão intracraniana e na circulação do líquido cefalorraquidiano, embora esses aspectos ainda estejam em estudo. Uma coisa é certa: esse fenômeno discreto é muito mais do que uma simples curiosidade anatômica.
Esse ciclo nasal permite, em especial, perceber melhor todos os odores que chegam até o nosso nariz. Alguns cheiros são identificados com mais facilidade quando o ar passa rapidamente pela narina. Outros precisam de um fluxo de ar mais fraco.
Um dos papéis mais fascinantes do ciclo nasal diz respeito ao nosso olfato. Ao alternar os fluxos de ar entre as duas narinas, nosso cérebro otimiza constantemente nossa capacidade de detectar e identificar odores. As moléculas odorantes não se comportam todas da mesma forma em um fluxo de ar rápido ou lento. Algumas, mais voláteis, são captadas melhor quando o ar circula rapidamente. Outras, mais pesadas ou mais sutis, precisam permanecer por mais tempo em contato com a mucosa olfativa para serem corretamente analisadas. Ao variar o fluxo de uma narina para a outra, o ciclo nasal nos oferece uma paleta olfativa mais rica e mais nuançada. É por isso que um mesmo cheiro pode parecer ligeiramente diferente dependendo da narina pela qual o sentimos. Alguns perfumistas e enólogos seriam, aliás, capazes, com treinamento, de perceber conscientemente essa diferença e usá-la em seu trabalho. Mais uma prova de que o ciclo nasal é uma ferramenta de sofisticação insuspeita.

A respiração nasal alternada
A chamada respiração nasal alternada, por sua vez, não se baseia em fatos cientificamente comprovados. Ela corresponde mais a uma técnica básica do yoga. Como o nome indica, consiste em respirar alternadamente por uma narina e pela outra, simplesmente tampando uma delas. O objetivo declarado é equilibrar as energias que supostamente circulariam pelos dois canais que passam por nossas narinas. De fato, segundo os princípios do yoga, o lado esquerdo da nossa respiração estaria associado ao feminino, ao frio, ao pacífico, à calma, etc. O lado direito, por sua vez, representaria o masculino, o quente, o ativo, etc. Assim, um ciclo nasal em desequilíbrio poderia significar que nosso equilíbrio está completamente abalado.
É importante não confundir o ciclo nasal fisiológico com a respiração alternada praticada no yoga, mesmo que esta última provavelmente se inspire na observação do fenômeno natural. O ciclo nasal é um processo automático, inconsciente, regulado pelo nosso sistema nervoso autônomo. A respiração alternada, ou nadi shodhana em sânscrito, é uma técnica voluntária que consiste em tampar uma narina e depois a outra para controlar a respiração. Os praticantes de yoga atribuem a essa prática virtudes equilibrantes sobre as energias vitais, os prana, que circulariam pelos dois principais canais do corpo: ida, à esquerda, feminino e frio; e pingala, à direita, masculino e quente. Segundo essa filosofia, nosso ciclo nasal natural refletiria a dominância de um ou outro canal em determinado momento, e um desequilíbrio crônico poderia ser sinal de uma perturbação energética. Embora a ciência obviamente não valide esses conceitos energéticos, ela reconhece que a respiração alternada voluntária pode ter efeitos benéficos sobre o relaxamento, a concentração e o equilíbrio do sistema nervoso autônomo. Assim, o ciclo nasal natural e a respiração alternada do yoga, embora de natureza diferente, se encontram em uma mesma fascinação pela respiração e seus mistérios.
Os fatores que influenciam o ciclo nasal
O ciclo nasal não é um relógio imutável. Vários fatores podem influenciar sua regularidade e sua amplitude. A posição do corpo, por exemplo, desempenha um papel importante. Deitado de lado, há uma tendência de a narina de baixo ficar mais congestionada e a de cima mais desobstruída, devido ao efeito da gravidade sobre a circulação sanguínea. A atividade física também modifica o ciclo: durante um esforço, as duas narinas tendem a se desobstruir para permitir uma entrada máxima de oxigênio, suspendendo temporariamente a alternância. O estresse, os hormônios, certos medicamentos e, claro, as patologias nasais, como rinite, sinusite ou desvio de septo, podem perturbar ou até suprimir o ciclo nasal normal. A idade também desempenha um papel: os bebês têm um ciclo nasal muito marcado, o que explica por que podem parecer respirar ruidosamente mesmo sem estarem resfriados. Nas pessoas idosas, o ciclo tende a se atenuar, pois a mucosa nasal se torna menos reativa. Todas essas variações lembram que o ciclo nasal é um fenômeno vivo, dinâmico e intimamente ligado ao estado geral do nosso corpo.
Quando o ciclo nasal se desregula
Em certas condições, o ciclo nasal pode se tornar mais perceptível, ou até incômodo. É o caso, em especial, da rinite, alérgica ou não, quando a mucosa nasal está inflamada e reage de forma excessiva. As fases de congestão podem então se tornar mais longas, mais intensas, e dar a sensação desagradável de ter o nariz constantemente entupido de um lado. O desvio de septo nasal, uma anomalia anatômica frequente, também pode perturbar o ciclo nasal ao tornar uma narina estruturalmente mais estreita do que a outra. Nesse caso, a alternância fisiológica pode ser menos perceptível, já que a narina mais estreita apresenta sempre um fluxo de ar reduzido. Por fim, algumas pessoas são simplesmente mais sensíveis do que outras ao próprio ciclo nasal e o percebem como um incômodo, embora se trate de um processo perfeitamente normal. Se a sensação de nariz entupido persistir ou vier acompanhada de outros sintomas, recomenda-se uma consulta médica para descartar uma patologia subjacente.
Da próxima vez que você sentir uma narina mais entupida do que a outra, lembre-se de que talvez não seja um resfriado chegando, mas seu ciclo nasal fazendo seu trabalho, silenciosamente, como faz desde o seu nascimento.
