Biografia
Em 11 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Ao longo da história, muitas mulheres contribuíram para a ciência, mas seu trabalho raramente foi reconhecido em vida, ou mesmo de forma póstuma. Hedy Lamarr precisou esperar 59 anos para que sua invenção, um sistema de codificação das transmissões por espalhamento espectral, fosse reconhecida. Ela é a ancestral das tecnologias modernas que todos usamos hoje, como Wi-Fi, telefonia móvel e Bluetooth. Conheça o retrato desta mulher tão brilhante quanto bela.
Hedy Lamarr, cujo verdadeiro nome era Hedwig Kiesler, nasceu na Áustria em novembro de 1914. Notada por sua beleza, apresentou-se às portas de um estúdio de cinema vienense para ajudar financeiramente os pais. Começava então uma carreira no cinema. No filme “Êxtase”, lançado em 1933, Hedy Lamarr interpretou seu papel mais conhecido. Nua, simulou um orgasmo pela primeira vez na tela grande. Sua reputação de mulher sulfúrica nunca mais a deixaria.
No mesmo ano, casou-se com Friedrich Mandl, um prolífico comerciante de armas. Embora fosse infeliz no casamento, Hedy Lamarr conviveu com o mundo militar por meio do marido. Esse episódio decisivo de sua vida alimentaria longas conversas sobre mísseis radioguiados, que dariam origem a uma invenção visionária. Ela atravessou o Atlântico em 1937 para fugir do marido e passou então a usar o nome Hedy Lamarr.

Um pianista e uma atriz, pais do Wi-Fi
Durante uma festa da alta sociedade, Hedy Lamarr conheceu o pianista George Antheil. Os dois conversaram longamente sobre armamentos, um assunto que Hedy dominava perfeitamente e que fascinava George Antheil. Era 1941, e a Segunda Guerra Mundial devastava a Europa. George e Hedy imaginaram juntos um sistema de criptografia das comunicações aplicável às torpedos radioguiados, que eram desviados com frequência.
O sistema se baseava em um transmissor-receptor que permitia ao torpedo mudar de frequência de transmissão para não ser detectado pelos inimigos. Também chamado de “espalhamento espectral por salto de frequência”, ou FHSS em inglês, esse princípio de transmissão ainda rege nossas tecnologias modernas sem fio, como o GPS e as comunicações militares.


Um reconhecimento tardio
Os dois inventores registraram uma patente no Escritório de Patentes dos Estados Unidos em 10 de junho de 1941, intitulada “Secret communication system”. Sua invenção passou totalmente despercebida, e foi apenas 21 anos depois, com o progresso da eletrônica, que o Exército americano viu nela alguma utilidade. Caída em domínio público, ela se tornou uma oportunidade para os desenvolvedores de aparelhos com transmissão nos anos 1980. Hoje, a maioria dos telefones celulares usa o sistema concebido pela dupla Lamarr-Antheil.
Embora hoje o trabalho de Hedy Lamarr esteja ligado às nossas vidas modernas, suas ideias de vanguarda não receberam, na época, o reconhecimento que mereciam. Foi apenas em 1997 que ela recebeu o prêmio da Electronic Frontier Foundation. Tinha então 82 anos e vivia na Flórida, longe da glória que conhecera no passado. Morreu três anos depois. Ela e seu parceiro George Antheil foram admitidos postumamente no National Inventors Hall of Fame em 2014.