Em 21 de julho de 1969, o astronauta americano Neil Armstrong tornou se o primeiro ser humano a pisar o solo lunar. No entanto, poucos anos mais tarde, quando o programa Apollo terminou, começaram a surgir as primeiras teorias conhecidas como “moon hoax”, ou seja, a ideia de que tudo teria sido uma encenação.
E se tudo não tivesse passado de um enorme espetáculo? E se as missões lunares fossem apenas uma ficção criada pelos Estados Unidos para demonstrar a sua superioridade face à União Soviética? Hoje, muitas pessoas acreditam nisso. Estima se que quase 20% dos americanos e cerca de 16% dos franceses duvidem da autenticidade da missão. A internet, naturalmente, contribuiu bastante para amplificar essas teorias.
A verdadeira origem dessas suspeitas remonta a meados da década de 1970, com o livro de Bill Kaysing intitulado Nunca fomos à Lua: a fraude de trinta mil milhões de dólares. Nele, o autor afirma que existem numerosas incoerências nas imagens divulgadas pela NASA.
Algumas dessas alegadas incoerências tornaram se famosas: a ausência de estrelas no céu ou a bandeira americana aparentemente a ondular ao vento. Para os defensores da teoria da conspiração, esses detalhes provariam que os pousos das missões Apollo foram filmados num estúdio secreto. Talvez até por Stanley Kubrick, o realizador por trás dos efeitos especiais de 2001: Odisseia no Espaço.

Provas científicas contra argumentos conspiracionistas
Quando essas “incoerências” são analisadas com um olhar científico, percebe se rapidamente que os argumentos conspiracionistas não resistem muito tempo.
Primeiro ponto: como pode uma bandeira mover se na Lua, se o satélite não possui atmosfera? Simplesmente não pode.
• Na realidade, a bandeira colocada em julho de 1969 não estava a ondular. A NASA concebeu uma estrutura especial com uma haste horizontal para manter o tecido esticado. No entanto, os astronautas não conseguiram abri la completamente, o que criou a ilusão de movimento.
Mas os críticos insistem: por que motivo não vemos estrelas nas fotografias?
• Porque a missão Apollo 11 aterrissou durante a manhã lunar. O Sol brilhava intensamente, e a luminosidade era tão forte que o brilho muito mais fraco das estrelas não aparecia nas imagens.
Outro argumento refere se às sombras nas fotografias. Alguns afirmam que a sombra da bandeira aparece na direção errada.
• Porém, outras fotografias da mesma sequência mostram que aquilo que parece ser a sombra da bandeira é, na verdade, a sombra de um equipamento científico fora do enquadramento da imagem. Além disso, as irregularidades do terreno lunar podem alterar a orientação das sombras.

Outra questão levantada: por que o módulo lunar não criou uma cratera ao aterrar, se os astronautas deixaram pegadas bem visíveis?
• A NASA explica que o motor do módulo não era suficientemente potente para escavar o solo lunar, que é bastante compacto. Ainda assim, levantou poeira suficiente para permitir que os astronautas deixassem pegadas na superfície, especialmente porque não existe vento para as apagar.
Alguns críticos também apontam que as pegadas não correspondem à sola das botas do fato espacial.
• A explicação é simples: os astronautas utilizavam sobre botas especiais com solas ranhuradas durante as caminhadas lunares.
Outra pergunta recorrente: por que não vemos chamas quando o módulo descola da Lua?
• Porque o combustível utilizado combinava hidrazina e tetróxido de azoto, cuja combustão produz chamas praticamente invisíveis.
E quanto às radiações?
• A NASA afirma que os fatos espaciais protegiam adequadamente os astronautas durante a passagem pelas cinturas de Van Allen, além de que a travessia foi relativamente rápida.
Por fim, alguns questionam por que todas as missões Apollo ocorreram durante a presidência de Richard Nixon e por que nunca mais regressámos à Lua.
• A resposta é sobretudo política e económica: depois de vencer a corrida espacial contra a União Soviética, os Estados Unidos deixaram de investir os enormes recursos necessários para novas missões tripuladas. Essa situação apenas começou a mudar recentemente, com novos programas espaciais.

As rochas lunares como prova definitiva
Para reforçar a autenticidade das missões, a NASA aponta para uma prova concreta: 382 quilos de rochas lunares trazidas pelos astronautas do programa Apollo.
Essas amostras foram analisadas por cientistas de todo o mundo. A sua composição é única e revela características típicas de um corpo celeste sem atmosfera. Muitas dessas rochas estão cobertas por minúsculas crateras provocadas por impactos de micrometeoritos.
Curiosamente, nem mesmo a União Soviética colocou em causa a veracidade do feito americano. Cientistas soviéticos acompanharam as missões Apollo nas suas órbitas lunares e captaram as transmissões vindas da Lua.
Décadas mais tarde, em 2015, autoridades russas voltaram a mencionar o assunto. No entanto, não para questionar a missão em si, mas para investigar o desaparecimento de certos documentos e amostras, incluindo a gravação original da aterragem da Apollo 11.
Ainda assim, como observou o jornalista François de Closets, as teorias da conspiração sobrevivem mesmo perante provas concretas. Quando a vontade de acreditar numa história alternativa é forte, os factos raramente são suficientes.
Nem mesmo as imagens recentes captadas por sondas orbitais – que mostram vestígios das missões humanas na superfície lunar – conseguiram convencer todos. E é provável que, mesmo se astronautas regressarem à Lua, algumas pessoas continuem a duvidar.
