Acima delas, duas estrelas marcam os seus ombros. À esquerda, vista da Terra, encontra-se a brilhante Betelgeuse. É uma supergigante vermelha, uma estrela em fim de vida, 600 vezes maior do que o Sol e 14 vezes mais massiva. Deverá ser uma das próximas estrelas que os habitantes da Terra poderão ver explodir, sob a forma de supernova, dentro de alguns séculos ou milénios. O outro ombro é assinalado pela estrela Bellatrix.
Abaixo das três estrelas do cinturão, surgem os joelhos e as pernas, representados à esquerda por Saiph e à direita por Rigel. Esta última, de brilho azulado, é uma estrela jovem, vigorosa, dupla e muito quente. É a mais brilhante desta constelação, que domina o céu de inverno.
Estrelas menos brilhantes formam algo semelhante a um arco, à direita de Orion no céu. Nessa mão, a esquerda de Orion, ele segura uma pele de leão. Na outra mão, ergue uma clava de bronze. As estrelas que a desenham encontram-se acima de Betelgeuse, na direção dos Gémeos.

Sob o cinturão de Orion, encontra-se o seu punhal. Ele é marcado por pequenas estrelas alinhadas. Antigamente, muito antes de a poluição luminosa fazer “desaparecer” as estrelas, era possível observar a olho nu uma mancha pálida no interior desse punhal. Trata-se da nebulosa de Orion, muito famosa e também designada Messier 42, ou M 42. Esta nuvem de gás e poeira, que parece pequena vista da Terra, é na realidade gigantesca: estende-se por cerca de 24 anos-luz e situa-se a 1.400 anos-luz de nós. Milhares de estrelas estão a nascer ali. Algumas já começaram a brilhar, enquanto outras ainda se encontram em estado embrionário, escondidas nos seus casulos de gás. A nebulosa de Orion é, na verdade, a parte mais visível de uma estrutura imensa: a nuvem molecular de Orion, ou OMC. É uma das mais próximas do nosso Sistema Solar.
A constelação de Orion na mitologia
Esta constelação a que chamamos Orion tem origem grega. Na mitologia, é descrita como um caçador orgulhoso, que não temia nada. Os Babilónios viam nas mesmas estrelas um pastor; os Hindus e também os Astecas viam um guerreiro; os Egípcios viam o deus Osíris.
No céu, dois cães acompanham-no: o Cão Menor e o Cão Maior. Este último leva na boca a cintilante Sirius, a estrela mais brilhante do céu. Não muito longe dali, uma lebre parece correr pelo firmamento.
Orion é um gigante que, segundo a lenda, nasceu da semente de Zeus e de Hermes colocada numa pele de touro, depois enterrada na Terra. O nome Orion vem do grego ourein, que significa urinar. Teria sido um presente dos deuses ao seu anfitrião Hirieus, rei de Tebas, na Beócia, que lamentava não poder ter filhos.

As narrativas sobre Orion são numerosas. A mais famosa conta que ele foi chamado por Enópion, “bebedor de vinho”, filho de Dioniso e Ariadne, para exterminar as temíveis serpentes que espalhavam o terror nas montanhas da ilha de Quios, da qual era rei. Sem dificuldade, o gigante cumpriu a missão. No regresso ao palácio, foi dado um banquete em sua honra. Mas, embriagado, Orion quis abusar de Mérope, filha do soberano. Desonrado e furioso, Enópion cegou com a sua espada o caçador, que dormia na planície.
Ainda assim, Orion recuperou a visão com a ajuda de Hefesto, que lhe confiou o seu servo Cedálion. Voltou então à ilha de Quios para se vingar, mas, depois de conversar com um pastor, acabou por desistir. Caminhando pelo mar, com a cabeça fora de água, encontrou Ártemis na ilha de Creta. Num impulso de orgulho, declarou-lhe um dia que “nenhum ser pode escapar às minhas armas de caça”. As suas palavras foram excessivas e despertaram a cólera da deusa-mãe Gaia. Ela fez sair das entranhas da Terra um escorpião gigante. Do combate, o grande caçador não saiu vencedor. Morreu picado pelo ferrão do Escorpião. A pedido de Ártemis, Zeus colocou-o depois no céu, assim como o escorpião, mas não ao mesmo tempo: quando um se levanta, o outro põe-se.
