Há várias décadas que se tornou relativamente comum as pessoas com problemas de glicemia, em especial as pessoas diabéticas, medirem elas próprias o nível de açúcar no sangue. Isto é possível graças a um glucómetro, também chamado leitor de glicemia. Este aparelho oferece maior independência em relação ao médico e permite realizar medições de forma mais rápida e regular, garantindo um acompanhamento mais preciso de um tratamento, como a toma de insulina. No entanto, até há pouco tempo, a maioria dos glucómetros disponíveis no mercado obrigava o utilizador a picar a ponta do dedo para recolher uma gota de sangue e analisá-la numa tira. Felizmente, para quem se sente incomodado com esse gesto, existem há alguns anos aparelhos conectados que utilizam sensores e evitam essa etapa.
A glicemia, o que é?
A glicemia corresponde ao nível de glucose no plasma sanguíneo. Quando esse nível é demasiado elevado, fala-se de hiperglicemia, um dos sintomas da diabetes. Quando é demasiado baixo, fala-se de hipoglicemia. Em geral, a glicemia é medida em milimoles de glucose por litro de sangue, mmol/L.
As vantagens do leitor de glicemia conectado sem picada
Como o nome indica, os glucómetros conectados conseguem interagir com uma aplicação móvel ou com um aparelho sem fios. Importa notar que também existem glucómetros conectados que continuam a funcionar com a combinação picada/tira, assim como soluções baseadas em sensores, mas sem conectividade. Neste caso, interessamo-nos sobretudo pelas soluções não invasivas e mais práticas, que combinam sensores e ligação sem fios.
As vantagens das soluções com sensores conectados, quando comparadas com o método da picada com agulha, vão muito além de evitar recolhas regulares de sangue e a compra de tiras. Na prática, a conectividade permite armazenar, sincronizar, comparar e partilhar facilmente os níveis de glicemia. Além disso, o sensor permite obter esses dados em qualquer lugar, em poucos segundos e sem dor.

Como funciona?
Neste caso, não há colheita de sangue com picada nem utilização de tira. A medição é feita através de um simples sensor colocado sobre a pele. Os dados são depois enviados de forma pontual ou contínua para um leitor dedicado, para um aparelho conectado, como um relógio, ou diretamente para uma aplicação de smartphone ou tablet. Atualmente, a maioria das soluções disponíveis utiliza Bluetooth como método de ligação.
As informações a verificar antes de comprar um glucómetro
Antes de comprar um glucómetro, há vários aspetos que devem ser analisados. Além disso, falar previamente com o médico, ou pedir aconselhamento numa farmácia, é naturalmente uma boa ideia. O médico pode, aliás, emitir uma receita que permita eventualmente beneficiar de reembolso pela Segurança Social e pela mutualidade. O preço é um ponto importante a considerar. Atualmente, as soluções conectadas mais conhecidas custam cerca de 60 euros. Sem surpresa, os aparelhos capazes de medir outros valores além da glicemia são mais caros, mas também mais versáteis.
Também é importante verificar o tipo exato de glucómetro, a facilidade de utilização, as possibilidades de transporte e os modos de ligação disponíveis. Se a solução escolhida funcionar através de uma aplicação móvel, confirme se esta está disponível no seu dispositivo Android ou iOS. Alguns produtos também podem ligar-se diretamente a um relógio conectado, permitindo consultar os resultados a qualquer momento e receber alertas.
Um exemplo de glucómetro conectado sem picada
Um dos nomes mais conhecidos e acessíveis neste setor é o FreeStyle Libre, da Abbott Laboratories. A empresa farmacêutica propõe atualmente dois modelos de sensores: o FreeStyle Libre 2 e o FreeStyle Libre 3. O primeiro permite realizar medições pontuais, enquanto o segundo, por enquanto compatível apenas com Android, é mais pequeno e mede o nível de glucose em contínuo, apresentando-o em direto. Estas soluções estão disponíveis por cerca de 60 euros e podem ser usadas por pessoas com mais de 4 anos. No entanto, como a precisão anunciada de cada sensor dura 14 dias, esta opção pode rapidamente tornar-se dispendiosa.
Existem algumas alternativas, por exemplo da Dexcom ou da Medtronic, mas são geralmente mais difíceis de encontrar em França. A compra direta online raramente é simples; por vezes, é necessário contactar diretamente as empresas ou hospitais para conseguir obter um destes dispositivos.