Basta observar um mapa mundial da atividade sísmica para perceber que a grande maioria dos focos dos terremotos está localizada nos limites entre as placas.

Um risco distribuído de forma desigual pelo planeta
A atividade sísmica está distribuída de maneira muito desigual pela Terra. As regiões situadas sobre um limite ativo entre placas, ou próximas dele, apresentam maior risco de sofrer terremotos. Outras áreas, afastadas desses limites, permanecem relativamente estáveis, como a Sibéria, o Canadá e o centro da África.
O contexto tectônico é, portanto, o principal fator que determina o perigo sísmico de uma região, especialmente a proximidade de uma grande falha ativa. No entanto, também existem diferenças importantes, pois nem todas as placas se deslocam com a mesma velocidade ou da mesma maneira.
Algumas falhas absorvem as deformações regularmente, provocando pequenos terremotos frequentes. Outras tendem a permanecer bloqueadas e a acumular tensão tectônica durante um longo período, antes de liberá-la de forma repentina e produzir um terremoto muito mais poderoso.
A avaliação do perigo sísmico deve considerar a quantidade de deformação sofrida pelas rochas, o intervalo de recorrência dos terremotos nas falhas envolvidas e também as características geológicas do local.
As zonas de subducção apresentam o maior risco de terremotos fortes
Os terremotos mais violentos geralmente ocorrem nas zonas de subducção, onde duas placas convergem e uma delas mergulha sob a outra. Essa dinâmica provoca uma intensa acumulação de energia em áreas que podem permanecer bloqueadas em diferentes profundidades.
A região ao redor da placa do Pacífico, caracterizada pela presença de numerosas zonas de subducção, está particularmente exposta a terremotos de grande intensidade.
As cadeias de montanhas, formadas pela colisão de duas massas continentais após um processo de subducção, também são afetadas por terremotos importantes. Essas regiões, submetidas a fortes tensões de compressão, são atravessadas por numerosas falhas capazes de gerar abalos de grande magnitude. A cordilheira do Himalaia e suas proximidades estão entre as áreas mais afetadas.
Em outras partes do planeta, as placas não mergulham umas sob as outras, mas deslizam lateralmente. Esses limites transformantes ou de cisalhamento podem acumular enormes quantidades de deformação. Os terremotos que produzem são geralmente pouco profundos, mas podem ser extremamente poderosos.
Risco sísmico: a importância da qualidade das construções
Embora o contexto tectônico seja essencial para determinar o perigo sísmico de uma região, a avaliação do risco também precisa considerar a vulnerabilidade das populações. A densidade populacional, a qualidade dos edifícios e a aplicação de normas de construção antissísmica são fatores fundamentais.

Japão e Indonésia
Apesar de possuir normas antissísmicas rigorosas e comprovadamente eficazes, o Japão continua sendo uma das regiões de maior risco sísmico do mundo. A cidade de Tóquio é especialmente vulnerável devido à sua elevada densidade populacional.
A costa oriental do país também está ameaçada por tsunamis. O terremoto de magnitude 9,1 ocorrido em 2011 causou aproximadamente 16 mil mortes, principalmente devido à onda de tsunami gerada pelo abalo.
Graças à sua política de prevenção, o país consegue reduzir consideravelmente o número de vítimas causado pelo desabamento de construções.

Assim como o Japão, a Indonésia está situada no encontro de três placas tectônicas envolvidas em processos de subducção. Os deslocamentos são muito intensos e frequentemente provocam terremotos de magnitude superior a 8, capazes de gerar tsunamis devastadores.
Foi o que ocorreu em 2004, quando um terremoto de magnitude 9,1 causou cerca de 230 mil mortes. O elevado número de vítimas foi agravado pela forte concentração populacional nas regiões costeiras e pela falta de infraestruturas adequadas de proteção contra tsunamis.
As Antilhas e a região do Mediterrâneo
As Antilhas formam uma zona tectônica complexa e muito ativa. O risco sísmico é elevado sobretudo devido à vulnerabilidade das populações e, em algumas áreas, à ausência de normas de construção antissísmica.
Em 2010, o Haiti sofreu uma tragédia após um terremoto de magnitude 7,3, que teria causado mais de 220 mil mortes. O desabamento dos edifícios foi uma das principais causas desse balanço dramático.
Embora apresente um contexto tectônico diferente, a Turquia enfrenta um problema semelhante. O país é atravessado por várias grandes falhas transformantes, próximas de cidades densamente povoadas e com construções pouco resistentes a tremores fortes, como mostraram os acontecimentos de fevereiro de 2023.
Esses movimentos tectônicos fazem da região mediterrânea uma área de risco sísmico elevado, que também enfrenta a ameaça de tsunamis. Além da Turquia, as populações da Grécia e do sul da Itália estão particularmente expostas.

Califórnia
Outro grande limite transformante é a falha de San Andreas, na Califórnia, próxima de duas cidades importantes: San Francisco e Los Angeles.
Devido à acumulação de tensões desde o último grande terremoto no início do século XX, a costa oeste da América do Norte se prepara para um possível evento sísmico de enorme magnitude, conhecido popularmente como “Big One”. No entanto, ainda é impossível prever exatamente quando ele ocorrerá.

Os Andes e as regiões da cordilheira do Himalaia
Apesar dos esforços para adequar as construções às normas antissísmicas, o Chile e o Peru continuam altamente expostos devido à subducção da placa de Nazca sob a placa sul-americana.
Em 1960, o Chile registrou o terremoto mais forte já registrado, com magnitude 9,5.
Na região da cordilheira do Himalaia, a cidade de Katmandu, capital do Nepal, apresenta um risco sísmico muito elevado. Estudos indicam a possibilidade de um terremoto de magnitude próxima de 9 nessa área densamente povoada, onde muitas construções apresentam baixa resistência.
