Entre as cigarras, é exclusivamente o macho que produz o som. Pode fazê-lo para assinalar a presença de um predador, para afastar outro macho ou em situação de pânico, por exemplo, quando é apanhado na mão. Mas aquilo a que chamamos “canto das cigarras” corresponde, na verdade, a um apelo nupcial. No verão, os machos emitem esse som primeiro para atrair as fêmeas e depois para as cortejar.
Tecnicamente, não é totalmente correto dizer que as cigarras cantam. A cigarra cimbaliza. Este som tão característico, que acompanha muitos dias de férias de verão, não é produzido pela boca, mas por uma espécie de membranas — chamadas címbalos — situadas na base das asas. Certos músculos fazem-nas “estalar” até 900 vezes por segundo, um pouco como acontece com uma chapa abaulada que passa de uma forma côncava para uma forma convexa.

Porque é que as cigarras deixam de cantar à noite?
Outra particularidade anatómica da cigarra macho é o abdómen vazio, que funciona como uma caixa de ressonância, além de estruturas abafadoras, semelhantes a pequenas abas, situadas entre a base das patas traseiras e o abdómen, que deixam passar mais ou menos som.
Se, no fim de contas, as cigarras só emitem som quando está calor, isso deve-se antes de mais a uma razão anatómica. Os seus címbalos só se tornam suficientemente flexíveis quando as temperaturas ultrapassam os 22 °C. É por isso que, em geral, não se ouvem cigarras durante as noites de verão. Mas também há outra razão: para a cigarra, o calor favorece a reprodução. Para atrair as fêmeas de forma mais eficaz, os machos começam então a emitir sons cada vez mais fortes. Por fim, importa lembrar que nenhuma cigarra sobrevive à chegada do inverno, período que passam em estado larvar debaixo da terra. Isto ajuda a explicar a ausência do canto das cigarras junto à árvore de Natal.
