A humanidade terá empurrado o planeta para uma sexta «extinção em massa»? Para os especialistas, tudo depende da definição usada. Ainda assim, há um ponto que reúne consenso: o ritmo atual de desaparecimento das espécies é motivo de forte preocupação.
Segundo Robert Watson, antigo responsável pelo grupo de especialistas da ONU sobre biodiversidade, o IPBES, as cinco extinções em massa anteriores implicaram a perda de 75% das espécies. Nos últimos 500 anos, a Terra perdeu cerca de 2% das suas espécies, o que ainda a coloca longe desse limiar. No entanto, o desaparecimento atual ocorre a um ritmo até várias centenas de vezes superior à média dos últimos 10 milhões de anos, de acordo com o relatório do IPBES publicado a 6 de maio de 2019. Mantida esta velocidade, a marca dos 75% poderia ser atingida em apenas algumas centenas de anos.
Segue-se um resumo das cinco grandes extinções em massa que atingiram o planeta ao longo dos últimos 500 milhões de anos. Todas eliminaram pelo menos metade das criaturas vivas num período extremamente curto à escala da história geológica.
1. Extinção do Ordovícico
Quando: há cerca de 445 milhões de anos.
Taxa de desaparecimento das espécies: entre 60 e 70%.
Causa provável: um período glaciar curto, mas muito intenso.
Nessa fase da história da Terra, a vida concentrava-se sobretudo nos oceanos. Segundo os especialistas, a rápida formação de glaciares congelou uma grande parte da água do planeta, provocando uma descida acentuada do nível do mar. As consequências foram severas para muitos organismos marinhos, incluindo esponjas, algas, moluscos, cefalópodes primitivos e peixes sem mandíbula conhecidos como ostracodermos.
2. Extinção do Devónico
Quando: há cerca de 360 a 375 milhões de anos.
Taxa de desaparecimento das espécies: até 75%.
Causa provável: falta de oxigénio nos oceanos.
Tal como no episódio anterior, os organismos marinhos foram os mais afetados. A variação do nível dos mares, as alterações climáticas e até o impacto de um asteroide estão entre as hipóteses consideradas. Uma das teorias sugere que a expansão das plantas terrestres terá provocado anóxia, ou seja, uma falta de oxigénio nas águas superficiais. Os trilobites, artrópodes que viviam no fundo dos oceanos, sofreram particularmente com essa transformação.

3. Extinção do Pérmico
Quando: há cerca de 252 milhões de anos.
Taxa de desaparecimento das espécies: 95%.
Causas prováveis: impactos de asteroides e atividade vulcânica.
Frequentemente chamada «mãe de todas as extinções», esta crise biológica foi a mais devastadora de todas. Atingiu tanto os oceanos como os continentes e foi também a única que quase provocou o desaparecimento dos insetos. Para alguns cientistas, o processo prolongou-se por milhões de anos. Para outros, terá ocorrido num intervalo muito mais curto, de cerca de 200 000 anos.
Os trilobites, que tinham resistido às duas primeiras grandes crises, acabaram por desaparecer nesta fase. O mesmo aconteceu com alguns tubarões e peixes ósseos. Em terra, os moschops, répteis herbívoros com vários metros de comprimento, também não sobreviveram a esta enorme crise da biodiversidade.
4. Extinção do Triássico
Quando: há cerca de 200 milhões de anos.
Taxa de desaparecimento das espécies: entre 70 e 80%.
Causas prováveis: várias hipóteses, ainda em debate.
A extinção do Triássico continua envolta em incertezas. Sabe-se, porém, que eliminou numerosas espécies terrestres de grande porte, incluindo a maioria dos arcossauros. Este grupo inclui os antepassados dos dinossauros e está também na origem das aves e dos crocodilos atuais. Grande parte dos grandes anfíbios desapareceu igualmente.
Uma das explicações aponta para erupções vulcânicas gigantescas associadas à fragmentação da Pangeia, o último supercontinente. Essas erupções terão libertado enormes quantidades de dióxido de carbono, desencadeando um aquecimento climático rápido. Outros investigadores defendem a hipótese de impactos de asteroides, embora nenhum cratere correspondente tenha sido identificado até ao momento.
5. Extinção do Cretácico
Quando: há cerca de 66 milhões de anos.
Taxa de desaparecimento das espécies: 75%.
Causa provável: impacto de um asteroide.
A descoberta de uma imensa cratera na atual península do Iucatão, no México, apoia a hipótese de que um asteroide esteve na origem desta extinção. Foi esta crise que levou ao desaparecimento dos dinossauros não aviários, incluindo o T. rex e os tricerátopos.
Apesar disso, muitos grupos sobreviveram. A maioria dos mamíferos, tartarugas, crocodilos, rãs e aves conseguiu atravessar esse período, assim como diversas formas de vida marinha, entre elas tubarões, estrelas-do-mar e ouriços-do-mar.
Com o desaparecimento dos dinossauros, os mamíferos puderam diversificar-se e ocupar novos espaços ecológicos. Esse longo processo acabaria por conduzir ao surgimento do Homo sapiens, a espécie hoje associada à provável sexta extinção em massa.