É algo amplamente conhecido: os homens gostam dos seios das mulheres. Mas porquê? Nem todos concordam quanto à explicação. Alguns defendem, por exemplo, que uma mulher com peito volumoso é vista como mais fértil e mais apta a alimentar devidamente o seu bebé. Larry Young, psicólogo da Emory University, e Brian Alexander, jornalista e escritor, não seguem essa linha. No livro The chemistry between us, defendem que tudo seria regulado por uma rede de neurónios que se forma na mulher para facilitar a ligação ao bebé durante a amamentação. Essa mesma rede seria também ativada quando, numa relação sexual, um homem acaricia o peito da companheira, levando-a a concentrar a sua atenção e o seu amor no amante…
A atração pelos seios, uma história de… cérebros
Larry Young especializou-se no estudo das bases neurológicas dos comportamentos sociais complexos. Segundo ele, durante a amamentação, quando o bebé suga o mamilo da mãe, o seu cérebro é inundado por uma hormona chamada ocitocina, conhecida por estar fortemente ligada ao amor e ao apego. É assim que a mulher dirige toda a sua afeição ao filho.
O peito desempenha igualmente um papel importante nas relações sexuais e participa ativamente na excitação. Já foi demonstrado que as carícias nessa zona ativam as mesmas regiões do cérebro que a estimulação da vagina ou do clítoris. E, tal como acontece com os bebés quando se alimentam, os gestos delicados de um amante provocam uma libertação maciça de ocitocina. Neste caso, o foco da atenção feminina passa a ser o parceiro.

Do ponto de vista do sucesso reprodutivo, seria portanto vantajoso para um homem gostar dos seios femininos, para que elas lhe dediquem mais afeição e amor, duas condições essenciais para a formação de um casal duradouro. Young vê nisso marcas da seleção natural: os machos que revelavam maior apetência pelos peitos teriam podido reproduzir-se mais do que os outros. Desse modo, a atração masculina pelos seios ter-se-ia tornado uma norma, e o psicólogo chega mesmo a falar da existência de uma rede neuronal específica que se desenvolveria nos machos heterossexuais na puberdade.
Gostar dos seios, uma característica própria do homem?
Mas porque haveria o ser humano de ser a única exceção no mundo animal? Os autores do livro apresentam as suas razões. Por um lado, entre os mamíferos, 97 % das espécies não são monógamas*, o que exclui desde logo uma grande parte delas. Por outro, a diferença estaria ligada à nossa particularidade de fazer amor frente a frente, algo que não se observa nos outros mamíferos monógamos. O rato-do-campo, por exemplo, monta nas costas da fêmea, cujas mamas estão viradas para baixo. Não existe qualquer possibilidade de lhes tocar durante a relação sexual e, por isso, esse comportamento não foi favorecido pela evolução.
A teoria é apelativa, mas está longe de reunir consenso. O ser humano pertence à natureza, mas também à cultura. Por isso, a antropóloga Fran Mascia-Lees, da Rutgers University, em New Brunswick, nos Estados Unidos, não concorda inteiramente com as teses de Young e Alexander. Ela sublinha, de facto, que nem todos os homens se sentem atraídos pelos seios. Cita, por exemplo, sociedades tradicionais em África nas quais as mulheres andam de torso nu sem despertarem um interesse particular entre os membros masculinos do grupo. O debate poderá, assim, ser mais complexo e talvez não se reduza a simples redes de neurónios…
- A espécie humana não pode ser considerada estritamente monógama. Para além das questões de infidelidade, a poligamia existiu e continua a existir, consoante as épocas e as regiões do mundo. Basta pensar nos haréns dos Otomanos ou nos casamentos múltiplos de homens de fé mórmone. Do mesmo modo, o ser humano não pratica apenas sexo frente a frente e desenvolveu inúmeras práticas e fantasias com fins de prazer, porque, no seu caso, como noutros, a sexualidade não é apenas uma questão de reprodução.
